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20.7.09

LEONARDO DESCONHECIDO

Leonardo da Vinci foi um dos maiores desenhadores, pintores, inventores, criativos, engenheiros, enfim, um génio artista possuindo um QI e uma imaginação criativa que duvido tenham sido alcançadas, quanto mais ultrapassadas...


Ainda bem que esteve sob a protecção de vários senhores e governantes feudais, pois se fora "freelancer", como Galileu Galilei, por exemplo, possivelmente não teria chegado a idade tão avançada, pois em 1500 qualquer coisa que desafiasse o convencional era considerada herética e o seu autor esquartejado, decapitado, queimado vivo ou lançado aos leões... ( mmm... esta última talvez não, isso era mais moda no Império Romano, alguns séculos antes e não nas Repúblicas Venezianas do século XVI ).

Por volta de 1500 Vasco da Gama conseguira navegar até à Índia, Colombo rumara na direcção oposta e achara ter também chegado à Índia, só que os índios eram outros (Sioux, Apaches, Comanches, Iroqueses,...), Lisboa era a cidade mais rica da Europa, Portugal e Espanha dividiram o mundo entre si em Tordesilhas, sob a bênção do Papa. Michelângelo acabara a Pietá e fora contratado para viver mais de 6 meses sem descer dos andaimes que mandara instalar a meio metro do tecto para, deitado de costas, pintar os tectos da Capella Sixtina. Maquiavel, Erasmo de Roterdão, Martinho Lutero destacavam-se na política, filosofia e teologia.

Guttenberg soltara um palavrão quando entalou o dedo na prensa que inventara, para se passar a poder editar livros rapidamente, imprimindo exemplares perfeitamente idênticos entre si, enquanto Henrique VIII já "despachara" duas das suas 6 mulheres.

Fernão de Magalhães, que para mim (e para muitos outros portugueses, decerto), foi o nosso mais ilustre navegador, porque foi movido pela ciência, cartografia, geografia e sede de conhecimento (ao invés da quase totalidade dos outros, apenas buscando o lucro fácil através do saque, subjugação, escravatura, e outras práticas menos "civilizadas"), foi o primeiro a fazer a circum-navegação do Globo, encontrando a passagem para o Pacífico nos estreitos da Terra do Fogo ( extremo austral da América do Sul ), assim como a sua morte, devido a um mal-entendido com os nativos.

Depois deste "plano geral" da época, queria lembrar que Da Vinci não pintou só a Gioconda (Mona Lisa) e a Última Ceia de Cristo, mas foi o inventor da BICICLETA (fig. 1), do PÁRA-QUEDAS (fig. 2),
do SUBMARINO, do TANQUE de GUERRA, do ULTRA-LEVE (fig. 3),
da BIELA - MANIVELA, da RODA DENTADA e ENGRENAGENS (fig. ), dos ROLAMENTOS de ESFERAS (fig. ), do BARCO de PÁS (fig. ), do CARRINHO de MÃO SEMI-AUTOMÁTICO, de ENGENHOS BALÍSTICOS de vária ordem, e... do AUTOMÓVEL (fig. ). !!!!!!

Podem ler de novo. Eu espero.

Como sou músico, e porque é precisamente esta a faceta do Mestre dos Mestres mais desconhecida, é esta a razão principal para este artigo que escrevi e aqui publico: Leonardo também era Músico! E, como não poderia deixar de ser, inventou vários instrumentos e adaptou mecanicamente outros!
Três exemplos:
1 - Aquilo que designamos por "CAIXA de RITMOS", teve origem ( na vertente mecânica, claro, pois a electricidade apenas chegaria uns séculos mais tarde... ) no seu TAMBOR AUTOMÁTICO (fig. ).

2 - Os teclados portáteis, sintetizadores, pianos digitais, ou aquele teclado de pendurar ao pescoço tipo guitarra, que o Herbie Hancock usava nos 70's e 80's para se levantar do piano de cauda e interagir no palco junto dos guitarristas, baixistas e sopros, fazendo solos de pé ( ou dançando... ), tiveram o seu tetra-tetra-tetra avô na sua PIANOLA AMBULANTE (fig. ).

3 - A LIRA que inventou, é que me deixou deveras perplexo. Não só pelo facto de parecer a cabeça de um habitante de Procyon-5, ou algo saído da Industrial Light & Magic, para um filme da saga Star Wars, mas porque não descortino as cordas, não vejo caixa de ressonância, afinadores, nem quero saber como se pegava naquilo para tocar... brrrrrr...e não morde?



Bem, numa banda de trash-heavy-hard-metal-depressive-post-punk-rock-gunge-F..kDaNotesDaScalesDaTempo&DaMusic&Ourselves, se calhar os fans delirariam... (figs. ).






Para além de outras invenções destinadas às artes de palco, contam-se também PALCOS GIRATÓRIOS e/ou ELEVATÓRIOS, entre uma miríade de esboços que deixou, muitos dos quais ainda em estudo e por decifrar tanto o engenho em si, como a sua função...



Ou era alienígena ou um mutante, o fabuloso LEONARDO DA VINCI !

23.1.07

O Saxofone de Blues, Rhythm' nd Blues & Rock'n Roll (1ª parte)

Até fins da década de 1930, escreve o historiador de jazz Whitney Balliett, "não era fácil aspirar a ser saxofonista profissional…Havia poucas escolhas…acerca da direcção a tomar." A sonoridade do saxofone não seduzira, até então, o público em geral, que a achava agreste e áspera, voltando as suas preferências para o doce clarinete, mais melodioso e romântico. Pelo menos assim tinha sido durante os loucos anos 20, e influentes músicos do "early jazz", como "Rudy" Wiedoeft, ajudaram a popularizar o saxofone usando um sax C-Melody, e só então, pelos finais dos anos 30, é que aquele "novo" instrumento de sopro tinha finalmente caído no gosto generalizado (recordo que o belga Adolphe Sax desenhara-o apenas em 1846, ao contrário do clarinete, que datava da segunda metade do séc 18, e com lugar cativo no seio das orquestras de clássica.)
É então que os seus primeiros "grandes especialistas", como Coleman Hawkins, Lester Young e, mais tarde, Charlie Parker surgem em cena.
Coleman Hawkins, "agressivamente", numa enorme tonalidade gutural, improvisando sobre arpejos de acordes, com uma abordagem rítmica 'quaternária'.
Lester Young navegava numa rota distinta, sem agressividade, de tonalidade suave com notas sustentadas e prolongadas e com uma estética melódica encaixando perfeitamente na "new coolness" de Billie Holiday e do pianista Teddy Wilson, da orq. de Benny Goodman.
Um louvor especial está reservado para Ben Webster (teve como primeiro professor o pai de Lester Young) e a sua grandiosa sonoridade lírica…continha uma aveludada e envolvente qualidade, que nos tocava emocionalmente, de uma forma que Hawkins e Young, apesar da sua genialidade, raramente logravam alcançar.
Charlie Parker simplesmente "explodiu", desencadeando arpeggios passionalmente a ritmos alucinantes, repletas de "avalanches de semi-colcheias".
Cada um desses músicos irá influenciar as gerações seguintes de saxofonistas que, nos 40's e 50's, irão modificar o mundo da música para sempre. A abordagem de Coleman Hawkins ajudou a desenvolver os timbres sonoros e discursos de Lee Allen e Red Prysock;
King Curtis e Illinois Jacquet, evidenciavam o sentido rítmico de Lester Young;
Joe Houston definiu Charlie Parker como pricipal fonte, enquanto Jimmy Forrest nutria uma notável admiração por Ben Webster.
O denominador comum a todos eles era - BLUES.
«Os blues não começaram no Norte…mas sim no Sul e tiveram origem em situações de opressão e sofrimento, devendo-se à solidez de carácter do povo que o expressou performaticamente e o tocou e transformou naquilo que ele é actualmente.» - Joe Louis Walker.
Muitos saxofonistas de jazz foram, e são, grandes blues men, como por examplo: Johnny Hodges, Hank Crawford, Stanley Turrentine, Gene Ammons, Al Sears, David "Fathead" Newman, Dexter Gordon, Charlie Parker, Eddie Cleanhead Vinson, ou Cannonball Adderley.
Mesmo em saxofonistas que endereçaríamos para estilos dissemelhantes, como os casos de Stan Getz, Archie Shepp ou Paul Desmond, não é raro encontrar Blues inseridos em discos seus, ou serem incluídos entre os temas tocados em concertos ao vivo.
Uma destaque especial deve assinalar Sidney Bechet, um pioneiro importante do saxofone de jazz, descrito por Duke Ellington como "o verdadeiro epostulado do jazz". Os blues de Bechet exalavam uma atitude sonora, em temas como 'Blue Horizon', que constituíu uma influência procriadora em diversos instrumentistas, com destaque para Johnny Hodges.
Os estilos de Blues evoluíram e modificaram-se através dos anos, mas estruturando-se invariavelmente sobre o 'velho' blues standard de 12 compassos, que remonta ao início do séc. 20 (passe o exagero comparativo, um pouco tipo o que aconteceu com o automóvel, que desde o Ford T tem vindo a metamorfosear-se, embora mantenha um chassis, 4 rodados e 1 volante).
À medida que os músicos foram fazendo experiências, após a 2ª Guerra Mundial, e durante os anos 50, os blues adquirem características regionalizadas, afastando-se das raízes acústicas tradicionais enunciadas por músicos como Robert Johnson e Son House.
O Texas Blues tornou-se baseado nos sopros e metais. Em Chicago, o blues "urbanizou-se", com um incremento dramático na sua popularidade, à medida que músicos como Muddy Waters incorporaram as guitarras eléctricas e a harmónica.
Contudo, o destino havia reservado uma posição assinalável para os estilos de saxofone da costa leste, o Swing Blues e o Jump Blues.
O dia 26 de Maio de 1942 revelar-se-ia um ponto de viragem. Durante uma sessão de gravação para a Decca records, o saxofonista tenor Illinois Jacquet deu passos inovadores e acendeu o rastilho que desencadeará e alimentará uma verdadeira revolução, com o seu embrionário e apelativo solo de 64 compassos no tema 'Flying Home', de Lionel Hampton. Enquanto esse solo ateou a faísca, foi a "incrível e uivante" performance de Illinois Jacquet no "Jazz At The Philharmonic Concert" de 1944 que incendiou a criatividade de uma inconformista geração de saxofonistas que estiveram na base geradora de uma música inquieta, frenética e alucinante, dirigida pelo sax, (que expunha e assumia a liderança, conduzindo toda a banda ao clímax) e que veio a ser apelidada de "Rock n' Roll".
=== alguns exemplos audio de extractos de King Curtis e Junior Walker ==
Artistas do Swing Blues, como Louis Jordan (uma inspiração nuclear para Sonny Rollins, entre vários outros) tomavam de assalto as tabelas de vendas e de audições com canções como 'Caledonia' e 'Choo Choo Boogie'. em 1947, o hit explosivo 'Good Rockin' Tonight' de Wynonie Harris (com Hal Singer em sax tenor), lançou um som "rocking" nos blues (apresentando um acompanhamentorítmico com palmas, criando um ritmo "rockeiro", recorrendo a uma das características intrínsecas da música gospel e dos espirituais), é agora reconhecido como tendo sido o seio gerador do Rock n' Roll. Em seguida, o sax tenor Wild Bill Moore lançou "We're Gonna Rock" and "Rock and Roll".
Arnett Cobb foi entitulado de "Wild Man of the Tenor Sax", com singles como "Dutch Kitchen Bounce", e brilhantes saxofonistas de Jump Blues como Big Jay McNeely e "Mighty" Joe Houston, bem inclinados para trás ou mesmo de costas assentes sobre o palco, banhados por projectores intermitentes e strob-lights, conduziram plateias deliciadas até transes e delírios frenéticos com solos explosivos, fazendo irromper roncos, uivos e gritos sibilantes dos seus cintilantes 'horns'.
«Para mim isso não existe, distinção entre música negra e música branca. Se escrevermos notas num papel, o que é que obtemos de uma nota musical? Obtemos negro e obtemos branco . Por isso, a música mais fantástica de sempre que alguma vez o mundo inteiro ouviu ou conheceu, é feita por músicos negros e por músicos brancos, em conjunto, e são os blues. O Blues nasceu negro, mas agora já não. O Blues pertence ao Mundo! Blues music faz parte de todos, actualmente, é universal. É uma parte da nossa alma. Aprendendo, estudando e descobrindo o que é a Música, apercebemo-nos então que é algo que está profundamente inserida em nós, é pelo menos isso. Chamamos-lhe Blues, e está no cerne e na origem de toda a Música.» - Rufus Thomas
(fim da 1ª parte)
Rui Azul

12.1.07

Pedro Taveira gravado 'live' em 91

Tema: Azul Blues (R. Azul) - gravado ao vivo durante ensaio para um programa da RTP 1 (1991); Pedro Taveira - dr / Alberto Jorge - b / Silvério - p / Paulo Pinto - g / Rui Azul - sax t. Já(zz) lá vão uns bons anitos, e gostava que notassem o fantástico "drive" que o Pedro Taveira, (entretanto falecido, para grande mágoa nossa, os que com ele tocaram e conviveram e que mantém viva a sua memória e o seu legado excepcional transmitido pelo seu talento rítmico que o tornaram lendário). Um dos poucos músicos portugueses que, pelas suas qualidades inquestionáveis, conseguiu obter uma enorme e consensual admiração e um apreço de tal modo generalizado que abrange sucessivas gerações de músicos e profissionais ligados às artes e ao espectáculo, desde jornalistas a operadores de som e imagem, e claro, por todos os amantes da música que alguma vez o tenham visto e ouvido... Tocou numa memorável jam com Thelonious Monk! Sim, ouviram bem.!.. mas um destes dias conto esse happening... De momento, aqui fica a minha homenagem ao meu amigo, the greatest drummer we ever played with...