Showing posts with label fotos. Show all posts
Showing posts with label fotos. Show all posts

27.1.10

Novo site - Rui Azul

À laia de informação (incluindo um pedido das devidas desculpas por uma certa 'quasi'-propanganda promocional - não sendo esta, no entanto, encarada, na área do show-bizz, como despropositada ou descabida, mas antes como fazendo parte do processo de divulgação artística perfeitamente habitual e recorrente...), aqui fica o link ou hiperligação para um novo site que reúne, pela primeira vez, num só endereço on-line, múltipla documentação multimedia.

Assim, desde ficheiros audio e video, a fotos e recortes de imprensa, é possível ouvir, visionar, ler e obter informação que irá sendo regularmente actualizada, sobre a bio, discografia, críticas e referências, excertos de filmagens de concertos dos diferentes projectos (via youtube), fotografias de músicos e bandas passadas e presentes, desde finais dos anos 70 até à actualidade.

Também parte do trabalho gráfico, seja de ilustração, cartoon, BD ou pintura e desenho, está referenciada e acessível, assim como a possibilidade de comentar, enviar mensagens ou aceder a outras páginas, com outros conteúdos e protagonistas.

Todas as páginas estão equipadas de um leitor audio interactivo, e a animação dos elementos não foi esquecida.

Aguarda-se a vossa visita, para a qual estão desde já convidados.
Do mesmo modo, 'gerência' também agradece, encoraja e valoriza desde já a vossa opinião expressa.
Welcome, have fun & a great time.

http://www.wix.com/RuiAzul/RUI-AZUL



11.6.09

5 Ladiesingers no novo disco


MARIA VIANA
DIANA BASTO

FATUCHA LEITE

MARTA REN
DANIELA MAIA serão as intérpretes dos temas cantados do novo disco de RUI AZUL, "RITMOS EM BLUES", que conta ainda com a participação de outra cantora ( e pianista ), HELENA CASPURRO.

27.1.07

AZUL NEWS

A acção decorrente neste gélido início de ano está repartida, no que diz respeito à minha participação em projectos colectivos, entre:

a manutenção do recém nascido JAZZ WORKSHOP - a jam multimedia blog session, que conta já com 16 membros em apenas 3 semanas de actividade, 2 standards lançados
- C Jam Blues (Duke Ellington) e Mack The Knife (Kurt Weil / Berthold Brecht) -
e em que o Blues conta já com 3 solos: sax tenor, alto e clarinete. Precisamos de colaborações nas diversas áreas da criação, desde o texto à fotografia, do video ao cartoon, desde o slide-show ao teatro radiofónico, and so on...Visitem-no em http://jazz-workshop.blogspot.com

participação no novo trabalho discográfico dos TRABALHADORES DO COMÉRCIO, entitulado "Iblussom", a sair dentro de um par de semanas, no qual toquei riffs e solos de sax tenor e flauta, no tema Loucu (birtual), e ilustrei as páginas centrais do cd com uma 'charge' da ceia de Cristo, só que o próprio está ausente, e apóstolos somos uns 23, nomeadamente, e para além dos 5 membros da banda, todos os colaboradores convidados, entre os quais estão o R. Veloso, vários músicos espanhóis, Diana Basto, as Vozes da Rádio (são 4 querubins alados a sobrevoar a longa mesa), o (este) Azul, e mais gente que desenhei, mas não lembro os nomes e não conheço pessoalmente, can you imagine?... http://www.trabalhadoresdocomercio.org/

gravação do novo disco da MINNEMANN BLUES BAND, agendada para as próximas semanas, com originais e também blues tradicionais, que aguardo com entusiasmo, pois a banda está num 'pico' de forma, e é urgente editar um cd para passarmos to the 'next level'. A propósito, existe a cobertura da nossa participação no 'Simply Blues' Festival, com crítica e várias fotos no site espanhol: http://www.canedorock.com/sympleblues_minnemann_06.htm
(nuestros hermanos fazem aquilo que a comunicação social portuguesa teria responsabilidade em fazer... no es verdad?). Eis algumas imagens:




Podem ouvir excertos dos temas, gravados live no festival e inseridos na playlist do media player no topo superior direito desta página, como: I Was Stealin', Take Me Back, Catfish.

23.1.07

O Saxofone de Blues, Rhythm' nd Blues & Rock'n Roll (1ª parte)

Até fins da década de 1930, escreve o historiador de jazz Whitney Balliett, "não era fácil aspirar a ser saxofonista profissional…Havia poucas escolhas…acerca da direcção a tomar." A sonoridade do saxofone não seduzira, até então, o público em geral, que a achava agreste e áspera, voltando as suas preferências para o doce clarinete, mais melodioso e romântico. Pelo menos assim tinha sido durante os loucos anos 20, e influentes músicos do "early jazz", como "Rudy" Wiedoeft, ajudaram a popularizar o saxofone usando um sax C-Melody, e só então, pelos finais dos anos 30, é que aquele "novo" instrumento de sopro tinha finalmente caído no gosto generalizado (recordo que o belga Adolphe Sax desenhara-o apenas em 1846, ao contrário do clarinete, que datava da segunda metade do séc 18, e com lugar cativo no seio das orquestras de clássica.)
É então que os seus primeiros "grandes especialistas", como Coleman Hawkins, Lester Young e, mais tarde, Charlie Parker surgem em cena.
Coleman Hawkins, "agressivamente", numa enorme tonalidade gutural, improvisando sobre arpejos de acordes, com uma abordagem rítmica 'quaternária'.
Lester Young navegava numa rota distinta, sem agressividade, de tonalidade suave com notas sustentadas e prolongadas e com uma estética melódica encaixando perfeitamente na "new coolness" de Billie Holiday e do pianista Teddy Wilson, da orq. de Benny Goodman.
Um louvor especial está reservado para Ben Webster (teve como primeiro professor o pai de Lester Young) e a sua grandiosa sonoridade lírica…continha uma aveludada e envolvente qualidade, que nos tocava emocionalmente, de uma forma que Hawkins e Young, apesar da sua genialidade, raramente logravam alcançar.
Charlie Parker simplesmente "explodiu", desencadeando arpeggios passionalmente a ritmos alucinantes, repletas de "avalanches de semi-colcheias".
Cada um desses músicos irá influenciar as gerações seguintes de saxofonistas que, nos 40's e 50's, irão modificar o mundo da música para sempre. A abordagem de Coleman Hawkins ajudou a desenvolver os timbres sonoros e discursos de Lee Allen e Red Prysock;
King Curtis e Illinois Jacquet, evidenciavam o sentido rítmico de Lester Young;
Joe Houston definiu Charlie Parker como pricipal fonte, enquanto Jimmy Forrest nutria uma notável admiração por Ben Webster.
O denominador comum a todos eles era - BLUES.
«Os blues não começaram no Norte…mas sim no Sul e tiveram origem em situações de opressão e sofrimento, devendo-se à solidez de carácter do povo que o expressou performaticamente e o tocou e transformou naquilo que ele é actualmente.» - Joe Louis Walker.
Muitos saxofonistas de jazz foram, e são, grandes blues men, como por examplo: Johnny Hodges, Hank Crawford, Stanley Turrentine, Gene Ammons, Al Sears, David "Fathead" Newman, Dexter Gordon, Charlie Parker, Eddie Cleanhead Vinson, ou Cannonball Adderley.
Mesmo em saxofonistas que endereçaríamos para estilos dissemelhantes, como os casos de Stan Getz, Archie Shepp ou Paul Desmond, não é raro encontrar Blues inseridos em discos seus, ou serem incluídos entre os temas tocados em concertos ao vivo.
Uma destaque especial deve assinalar Sidney Bechet, um pioneiro importante do saxofone de jazz, descrito por Duke Ellington como "o verdadeiro epostulado do jazz". Os blues de Bechet exalavam uma atitude sonora, em temas como 'Blue Horizon', que constituíu uma influência procriadora em diversos instrumentistas, com destaque para Johnny Hodges.
Os estilos de Blues evoluíram e modificaram-se através dos anos, mas estruturando-se invariavelmente sobre o 'velho' blues standard de 12 compassos, que remonta ao início do séc. 20 (passe o exagero comparativo, um pouco tipo o que aconteceu com o automóvel, que desde o Ford T tem vindo a metamorfosear-se, embora mantenha um chassis, 4 rodados e 1 volante).
À medida que os músicos foram fazendo experiências, após a 2ª Guerra Mundial, e durante os anos 50, os blues adquirem características regionalizadas, afastando-se das raízes acústicas tradicionais enunciadas por músicos como Robert Johnson e Son House.
O Texas Blues tornou-se baseado nos sopros e metais. Em Chicago, o blues "urbanizou-se", com um incremento dramático na sua popularidade, à medida que músicos como Muddy Waters incorporaram as guitarras eléctricas e a harmónica.
Contudo, o destino havia reservado uma posição assinalável para os estilos de saxofone da costa leste, o Swing Blues e o Jump Blues.
O dia 26 de Maio de 1942 revelar-se-ia um ponto de viragem. Durante uma sessão de gravação para a Decca records, o saxofonista tenor Illinois Jacquet deu passos inovadores e acendeu o rastilho que desencadeará e alimentará uma verdadeira revolução, com o seu embrionário e apelativo solo de 64 compassos no tema 'Flying Home', de Lionel Hampton. Enquanto esse solo ateou a faísca, foi a "incrível e uivante" performance de Illinois Jacquet no "Jazz At The Philharmonic Concert" de 1944 que incendiou a criatividade de uma inconformista geração de saxofonistas que estiveram na base geradora de uma música inquieta, frenética e alucinante, dirigida pelo sax, (que expunha e assumia a liderança, conduzindo toda a banda ao clímax) e que veio a ser apelidada de "Rock n' Roll".
=== alguns exemplos audio de extractos de King Curtis e Junior Walker ==
Artistas do Swing Blues, como Louis Jordan (uma inspiração nuclear para Sonny Rollins, entre vários outros) tomavam de assalto as tabelas de vendas e de audições com canções como 'Caledonia' e 'Choo Choo Boogie'. em 1947, o hit explosivo 'Good Rockin' Tonight' de Wynonie Harris (com Hal Singer em sax tenor), lançou um som "rocking" nos blues (apresentando um acompanhamentorítmico com palmas, criando um ritmo "rockeiro", recorrendo a uma das características intrínsecas da música gospel e dos espirituais), é agora reconhecido como tendo sido o seio gerador do Rock n' Roll. Em seguida, o sax tenor Wild Bill Moore lançou "We're Gonna Rock" and "Rock and Roll".
Arnett Cobb foi entitulado de "Wild Man of the Tenor Sax", com singles como "Dutch Kitchen Bounce", e brilhantes saxofonistas de Jump Blues como Big Jay McNeely e "Mighty" Joe Houston, bem inclinados para trás ou mesmo de costas assentes sobre o palco, banhados por projectores intermitentes e strob-lights, conduziram plateias deliciadas até transes e delírios frenéticos com solos explosivos, fazendo irromper roncos, uivos e gritos sibilantes dos seus cintilantes 'horns'.
«Para mim isso não existe, distinção entre música negra e música branca. Se escrevermos notas num papel, o que é que obtemos de uma nota musical? Obtemos negro e obtemos branco . Por isso, a música mais fantástica de sempre que alguma vez o mundo inteiro ouviu ou conheceu, é feita por músicos negros e por músicos brancos, em conjunto, e são os blues. O Blues nasceu negro, mas agora já não. O Blues pertence ao Mundo! Blues music faz parte de todos, actualmente, é universal. É uma parte da nossa alma. Aprendendo, estudando e descobrindo o que é a Música, apercebemo-nos então que é algo que está profundamente inserida em nós, é pelo menos isso. Chamamos-lhe Blues, e está no cerne e na origem de toda a Música.» - Rufus Thomas
(fim da 1ª parte)
Rui Azul

12.1.07

Pedro Taveira gravado 'live' em 91

Tema: Azul Blues (R. Azul) - gravado ao vivo durante ensaio para um programa da RTP 1 (1991); Pedro Taveira - dr / Alberto Jorge - b / Silvério - p / Paulo Pinto - g / Rui Azul - sax t. Já(zz) lá vão uns bons anitos, e gostava que notassem o fantástico "drive" que o Pedro Taveira, (entretanto falecido, para grande mágoa nossa, os que com ele tocaram e conviveram e que mantém viva a sua memória e o seu legado excepcional transmitido pelo seu talento rítmico que o tornaram lendário). Um dos poucos músicos portugueses que, pelas suas qualidades inquestionáveis, conseguiu obter uma enorme e consensual admiração e um apreço de tal modo generalizado que abrange sucessivas gerações de músicos e profissionais ligados às artes e ao espectáculo, desde jornalistas a operadores de som e imagem, e claro, por todos os amantes da música que alguma vez o tenham visto e ouvido... Tocou numa memorável jam com Thelonious Monk! Sim, ouviram bem.!.. mas um destes dias conto esse happening... De momento, aqui fica a minha homenagem ao meu amigo, the greatest drummer we ever played with...



10.1.07

Timidez com o sexo oposto? Dores de cabeça? Toque saxophone!



Desde aumentar o seu nível de popularidade, sucesso with 'the Ladies', curar dores de cabeça, acalmar os nervos, tudo isso se consegue comprando um saxofone. E nem sequer precisa de ter qualquer tipo de talento musical! O Jimmy Dorsey está ali são como um pêro... Parece é que pode ter alguns efeitos secundários e ficar-se um pouco parecido com o Al Jolson... Porque é que pensam que o Michael Jackson nunca quiz ser saxofonista?...

24.12.06

Cinco Minutos de Jazz

Se tiverem tempo (e se lembrarem), podem ouvir este vosso amigo "a tocar tenor & a falar com José Duarte" - foi este o "headline" por ele escolhido para abrir cada uma das 10 emissões do "Cinco Minutos de Jazz" que irão para o ar bi-diariamente (17.53h e 22.53h) de dia 8 até dia 19 de janeiro de 2007.

Nos dias pares ouvir-se-á o tal tenor num tema gravado ao vivo, nos ímpares falaremos do Jazz em Portugal, do seu ensino, do que tenho feito nos últimos 30 anos, do que espero e... do que desespero ao ver a lentidão com que o Jazz se vai construíndo, e a pouco e (muito) pouco se vai afirmando e ganhando um público crescente, sobretudo entre as novas gerações, o que é um bom indício, mas as carências ainda são esmagadoras.
A actual proliferação de festivais de Jazz, um pouco por todo lado, embora possa parecer um sinal inequívoco de evolução, não tem, no entanto, reais efeitos práticos e dinamizadores da vida jazzística nacional, no que se refere aos músicos praticantes, sejam eles estudantes, amadores ou profissionais.
Algum possível entusiasmo, gerado pela assinalável crescente afluência de público a esses festivais, esvai-se quando comparativamente observamos a escassez daquele que frequenta os ainda mais escassos clubes e bares-concerto que existem entre nós.
E, quer queiramos, quer não, são estes locais e o "circuito", à escala nacional, que eles formam (ou melhor, que ainda NÃO formam), que constituem a estrutura-base, a armação de suporte que pode permitir a vivência diária, semanal, do Jazz português, possibilitando a actividade permanente de músicos e bandas, seja em concertos aos fins-de semana, jam sessions de domingo a quinta, abrindo espaço para os que se iniciam ganharem "calo", para que haja interacção entre apreciadores(as), melómanos, recém chegados ao Jazz, público em geral, divulgadores, musicólogos, radialistas, fotógrafos, jornalistas, artistas, actores, produtores, sonoplastas... tanto entre si, como com músicos (e estes entre si).
Só essas situações, só esses ambientes podem fazer fermentar e evoluir o Jazz que se ouve e se pratica entre nós.
... o músico do Algarve vai tocar em Viana; o músico do Porto toca numa Jam em Coimbra, com músicos que aí residem; uma banda do Barreiro actua no clube de Matosinhos, e após os concertos juntam-se-lhes músicos do norte; o trombonista dinamarquês que tocou no festival de Aveiro ás 22h aparece "round midnight" no bar-concerto local e acontece inesperadamente uma sessão fabulosa, memorável para quem assistiu e participou; aquele pianista americano de renome foi levado por um membro da organização daquele outro festival ao Hot Clube de Viseu, onde por acaso estava o trio de um guitarrista de Lisboa, e, tendo o pianista apreciado tanto a experiência, convidou-os para gravarem 4 faixas do seu próximo cd....
Isto são exemplos virtuais do que eu considero ser um cenário dinâmico de uma actividade Jazzística actual, pelos padrões europeus.
Possível e realizável no nosso país também.
Existem os músicos para tal.
Portugueses.
Em quantidade e de qualidade indiscutível, pelos mesmos padrões europeus (e globais).
Acabe-se de uma vez por todas com a execrável falta de auto-estima endémica que levava invariavelmente a considerar-se que o "estrangeiro" é sempre melhor que o Português, porque... porque é estrangeiro...!!
Falta apenas (derivado à ausência de hábitos culturais enraizados entre nós, um dos muitos efeitos "colaterais" e de consequências à la longue, com que os 50 anos de estupidificação salazarista contaminaram este país e este povo...):
que o público não vá apenas aos festivais, que vá surgindo nesses locais, pois muitas vezes presencia espectáculos tão bons ou melhores que nos grandes eventos (por vezes sessões únicas e irrepetíveis...), favorece de uma proximidade muito maior com músicos, podendo mesmo conhecê-los pessoalmente, com menos custos económicos e com maior fruição e intensidade vivencial... (experimentem pelo menos 1 fim-de-semana por mês, em vez da disco & dance..)
Tudo razões a favor da escolha de clubes para assistir a Jazz ao vivo, sem falar da impossibilidade de se estar a saborear um copo ou de trocar alguns comentários com a namorada ou com os amigos, no festival num auditório de centro cultural...
Did it crossed your minds??
Venham lá mais vezes ao clube e Jazz bar!!
Se afluir mais público, mais clubes vão abrir, mais músicos vão poder trabalhar, melhor e mais Jazz haverá para ver e ouvir...


Não cheguei a conseguir dizer algumas destas ideias, cinco minutos vão-se a correr e nem damos por isso!
Mas falou-se de Jazz. A ideia era essa, I think... Gostei bastante. Penso que o José Duarte também.

Cinco Minutos de Jazz
Estação de rádio: RDP Antena 1
E-mail: cincominutosdejazz@rdp.pt
Horários: segunda a sexta - 17.53h e 22.53h
Autor: José Duarte
desde 8 até 19 jan 2007:
Convidado:
Rui Azul - saxofonista

14.12.06

"Simply Blues" nights...

Caso vos interesse, vou resumir o que foi acontecendo nas noites do festival.
Na noite de 4ª feira, dia 6 de Dezembro, coube-nos - Minnemann Blues Band - abrir as "hostilidades", estreando a nova formação, que integra agora o trompetista cubano Alex Rodriguez, e penso que tivemos uma excelente interacção com o público, que compareceu de modo a ocupar talvez 60% da capacidade do Teatro Sá de Miranda, facto que no entanto, não impediu os presentes de se divertirem, como por exemplo no tema que começou com uma introdução de sax "à capella", no qual apareci vindo da última fila da plateia, segui pela coxia central, sentei-me numa das cadeiras, aproveitei para inserir a melodia do malhão no "discurso"(em homenagem ao Minho e a Zé Pereira, alfaiate, minhoto e tocador de bombo. Sim, porque nem bombeiro nem bombista soa bem... - conto essa estória um dia destes), e isto sempre acompanhado pela marcação rítmica do público, que o fez no sítio correcto (o Cenoura ajudou, indicando-lhes onde era que deviam bater as palmas...), subi para o palco sem parar de tocar e finalizamos com "Relax Your Mind". Regressamos para 2 encores, com o entusiasmo do público sempre em crescendo.
Na noite seguinte, 5ª, Louisiana Red (an old-timer bluesman) trouxe-nos a tradição do delta, sentado na sua cadeira, que os anos já pesam e o jetlag também... No final grande parte do público saía do Teatro directamente para o Café-concerto por uma porta de acesso e por volta da meia-noite e meia ('round midnight...) começàvamos a tocar, para acabar... entre as 3 e as 4, porque o entusiasmo dos presentes impelia-nos a continuar. Apenas nessa noite de 5ª, não houve jam session com os músicos que actuavam no Teatro (talvez pelas razões que referi acima), mas na sexta, a loiríssima Ana Popovic fez questão de tocar connosco, e fazendo concentrar todos os olhares sobre o seu belo e desnudado umbigo que se vislumbrava logo abaixo do corpo da guitarra, tocou alguns blue-rock (sobretudo em Mi7) e dirigiu-se a mim para que eu improvisasse com ela, e assim solamos, sax e guitarra, alternando de 4 em 4 compassos... Acontecia, finalmente, Jam Session, no 7º Festival Simply Blues! Ana Popovic, de Belgrado, fez questão, antes de abandonar o palco, de incentivar o público para que nos aplaudisse intensamente: -" Congratulations, you people got these really fantastic musicians in your own country, so give them a big applause, 'cause they deserve it!...".
Curiosamente, na noite seguinte, o mesmo sucedeu com Sherman Robertson, bandleader, guitar player, afro-american (como se diz nos EUA) & bluesman, exibindo um chapéu de cowboy (daqueles com o topo plano e com chapas ovais de metal dourado a decorar a fita do chapéu) e um bigodinho à Clark Gable. Depois de actuar no teatro, também fez questão de tocar connosco, após ouvir-nos durante alguns temas. Após ele ter tocado um blues em Mi, pedi-lhe que escolhesse outro tom para os temas seguintes (é que para o saxofone tenor, um blue em Mi significa ter que improvisar em Fá sustenido, pois o tom de guitarra ou piano, o "concert key" tem de ser transposto dois meios tons acima, no caso do tenor e do soprano. Claro que consigo solar em Fa#7, mas a dedilhação é mais "chata", logo existe menos fluidez no fraseado...), e assim seguiram-se em C7 e A7 (Ré de 7ª e Si de 7ª para mim) mais dois temas, e, tal como a Popovic, também ele me "desafiou" para solar em diálogo, e penso que me safei de modo a... "defender honrosamente o prestígio dos músicos portugueses" (...vá lá, não gozem, pois foi mesmo assim que algumas pessoas se expressaram, enquanto me davam os parabéns no final...).

Levamos a assistência ao rubro, os flashes sucediam-se, junto ao palco dançava-se, os gritos de aprovação e incitamento não abrandavam, e, igualmente, ele insistiu para que o público acarinhasse os seus músicos, ou mais concretamente, o António Mão de Ferro na guitarra, o Rui Cenoura na bateria, o ManuZé no baixo, o Wolfram Minnemann ao piano e voz (vive entre nós à tanto tempo que já o definem como... luso-germânico...), e um tal de Rui Azul no sax (este vosso amigo)...
Membros da organização, espanhóis com largo historial em organização de concertos, nas áreas do Jazz e Blues, referiram que não só fomos a banda portuguesa com melhor prestação, no conjunto dos 7 anos de edições do festival, como uma das bandas que obtiveram mais adesão do público, a nível global de todas as actuações, tanto de nacionais como de estrangeiros. Bem, também acho que estivémos particularmente inspirados, e demos "o litro", mas essas apreciações são sempre muito subjectivas, vindas dos próprios intervenientes, só que desta vez toda a gente foi unânime, inclusivé músicos das bandas americanas...
Espero que isto possa vir a ser um sinal de mudança na mentalidade do público português, que ao contrário do que acontece com os naturais de outros países, NÃO "torce" pelos seus compatriotas artistas e músicos, chegando até a estabelecer o preconceito de que qualquer músico estrangeiro é sempre melhor do que um músico português, ...apenas....porque é estrangeiro!! Mas só admitem o contrário, se, e só se, forem os "estrangeiros" a afirmá-lo!
Por fim, quero ainda destacar o trompetista cubano Alex Rodriguez, que se estreou (e bem) na Minnemann Blues Band neste festival.

Obrigado por me aturarem e desculpem algo que vos possa parecer... alguma "imodéstia", da minha parte, mas é sempre agradável que, quando um músico toca bem, haja quem dê por isso... Rui Azul

27.6.06

DJ's SUCKS!

Neste país paga-se melhor a alguém para ir colocando uns discos durante a noite do que a um músico para executar música no seu instrumento, ao vivo!
Comparem o tempo que cada um desses "profissionais" levou para masterizar o seu desempenho... Algo está profundamente errado nisto tudo!!!
Desenvolverei...

12.3.06

4 supreme saxmen

Também não poderia deixar de mencionar as importantes e fulcrais fontes onde fui "beber" para crescer, "à bout de souffle"...
Da esq. p/ a dir: Bean, mais conhecido por Coleman Hawkins (reconhecem o jovem trompetista, atrás dele, na época com 18 anitos? Acabara de sair da Julliard, para se juntar aos seus ídolos, Bird & Diz!...); depois Newk, com corte à Taxi Driver, o colosso jamaicano, vulgo Sonny Rollins; Rahasan Roland Kirk, secção de sopros in one man (alternava por vezes para a flauta transversal, soprando-a pelo... nariz!... não, não estou no gozo, é mesmo verdade!) ; por último, herdeiro de Mingus, fundador da Dinasty, o inesquecível George Adams, que tive o prazer de conhecer pessoalmente e conviver durante uma série de noites (em 1980) no club B14 Jazz, em Roterdão, no qual eu tocava na Houseband (banda residente do clube), para além de ter desempenhado outras funções, como cozinheiro, pintor de murais/decorador e técnico de som, além de tocar sax na rua, durante o dia... (sabem como é que são os portugueses, a trabalhar no estrangeiro, e ainda por cima ainda não havíamos ingressado na CEE, na época... ia-me desenrascando como podia. Eu queria era estar por dentro da... jazz scene, you know, man, dig it? )

25.2.06

4 tenors



My special thanks to this 4 gentlemen: Ben, Dex, Joe & Prez. Major influence on my sax playing.

19.2.06

Sax surdina ou BIDÉSAX?

Quando deparei com esta nova invenção não sabia se desatar a rir se chorar. A 1ª hipótese venceu e as gargalhadas souberam-me divinalmente. É certo que tinha presente que o que me fez dedicar-me ao saxofone, na minha adolescência, para além da sonoridade e expressividade, tinha sido a sua magnífica forma, quase de nave espacial alienígena (quando observado segundo certas perspectivas, em close picado - tipo do interior dos caças quando sobrevoam a "mothership"... ), mas se, para aprender e treinar sem incomodar os vizinhos, tivesse que tocar num "bidet - shaped horn" ou BIDÉSAX, hoje tocaria French Horn, Bombardino ou Sousafone, para ser mais lusofónico, em vez da corneta que o sr. Adolphe Sax inventou, 166 anos atrás.
Só um nipónico para inventar um "gadjet" com um design tão pavoroso!! Note-se que não estou a criticar a utilidade de uma surdina para os saxofones, que, contrariamente aos seus primos metálicos Brass (trompetes, trombones, etc..), não dispunham de qualquer tipo de acessório que reduzisse a intensidade sonora eficazmente. Dá vontade de perguntar: Desculpe, mas não tem disto noutras cores?...

15.2.06

À Bolina no Bodyspace


Apesar de ter sido editado em 2005, o cd "À Bolina" tem sido objecto de análise sobretudo no ano corrente. Desta feita no especializado Bodyspace, um dos mais rigorosos e atentos sítios acerca dos eventos mais relevantes que surgem no mundo musical. É particularmente gratificante sentirmos que a arte que criamos através da persistência, empenho, esforço, bastantes "directas", notório emagrecimento e algum talento obteve algum reconhecimento por parte de críticos e especialistas imparciais. Ao ponto de não resistir a transcrever os seguintes excertos:
« Do pequeno, mas rico em polémica, mundinho do jazz português, Rui Azul é uma das personalidades menos evidentes mas ao mesmo tempo mais interessantes. ... », e ainda « ...Rui Azul viaja, sózinho, mas confiante no destino. E este disco, surpreendentemente, é uma ilha perdida no jazz português.».
Fica aqui o meu convite para lerem o restante texto e visitarem o interessante sítio chamado Bodyspace

5.2.06

À Bolina n'A Trompa


É espantoso como o bloguniverso está a impôr-se como novíssimo meio de comunicação social, complementando e mesmo substituindo as funções que "deveriam" caber aos tradicionais e instituídos órgãos da imprensa, rádio e televisão, que se alheiam muitas vezes de veicular a informação e divulgação sobre o trabalho dos artistas nacionais, apesar de serem pagos para desempenhar essas funções. Parece evidente que os bloggers possuem mais brio profissional que... os profissionais!
É o caso de Rui Dinis, mentor d' A Trompa, excelente blog acerca da música actual (e não só). Podem dar uma vista de olhos na sua análise do À Bolina e no atento trabalho que ele publica.

26.1.06

À Bolina no Mug Music


O cd "À Bolina" teve a honra de análise por parte de um melómano e blogger.
Podem ler o texto e visitar o seu blog clicando em:
Mug Music

25.1.06

Só dão por nós,... lá fora???








San Francisco Global Jazz Radio

É incrível como me descobriram em S. Francisco, Califórnia, onde a Global Jazz Radio destacou o cd "À Bolina" como uma das escolhas de Jazz dessa semana, para além de uma elogiosa crítica ao meu trabalho! No meu País, as estações de rádio nem sabem que eu existo, ou preferem ignorar os Músicos nacionais... E nos E.U.A, o que não faltam são excelentes Jazzmen! Enfim... Mas vejam vocês mesmo e linkem acima...

14.10.05

Crítica Magazine Artes nº27 Março 2005

MAGAZINE ARTES Nº27 MARÇO 2005

Rui Azul - À Bolina

«À Bolina», assim se chama este disco do saxofonista portuense Rui Azul, que, que assina também a produção e gravação, para além de tocar e manipular digitalmente todos os instrumentos que aqui se escutam. Este registo surpreende pelas suas caracteristicas universalistas, com sonoridades ambientais e elementos harmónicos que nos transportam, ou sugerem, locais remotos e paragens exóticas. Muito feliz a introdução de instrumentos de cariz tradicional como o didgeridoo, darbuka, ou a zummara, assim como as "vozes", que criam atmosferas de contrastes e cores, musicalmente bem definidos. Intervencionista na sua temática - a globalização, o ambiente, são alguns dos temas aqui evocados -, Rui Azul, constrói um disco em que o
jazz percorre em harmoniosos ventos os caminhos do mundo. Excelente.
(cd Registos Autónomos, Discantus-Mundo da Canção)

Entrevista Jornal de Notícias 17/01/2005 p. Cultura


Entrevista-Rui Azul
FIZ UM PÉRIPLO POR PARAGENS EXÓTICAS

O músico Rui Azul está de regresso com novo disco, "À Bolina", uma incursão pelo etnojazz
Suão, Pequim, Magrehb são algumas das palavras que podemos ler nos títulos do novo trabalho discográfico de Rui Azul, "À Bolina", pistas que indicam de forma inequivoca o vento que o ajuda a navegar nestas suas viagens: o etnojazz. Ao fim de 30 anos de carreira é um músico muito seguro de si que nos revela o que é que o levou a tocar todos os 10 instrumentos que utilizou neste seu novo CD.

[Jornal de Notícias] Apesar de ser um músico de matriz jazzistica, sempre teve propensão, ainda que pouco libertada, para a música etnográfica. "À Bolina" é o projecto em que assume essa sua faceta?

[Rui Azul] Sim e não. Sim, porque quis fazer o tal périplo, uma circum-navegação aportando em diferentes, remotas e algo exóticas paragens ou escaIas disseminadas pela "world", o que trouxe uma certa coerência ao álbum. Não, porque não assumo nada sem a presença do meu advogado e, a avaliar pelos temas que já compus para o próximo registo, vai acontecer um redireccionamento, apontando para tipologias e estilos mais libertos das sonoridades étnicas. Em "À Bolina" são detectáveis componentes étnicos, ou etnojazz, mas também afinidades com outras estéticas, mesmo até minimal, como em certos loops de marimbas e balaphons que desfilam em background.

[JN] Pela primeira vez não recorre a outros músicos e decide tocar todos os instrumentos. Isso aconteceu por razões estéticas ou económicas?

[RA] A razão prende-se com o estado de frustração que me invadiu quando constatei, em finais de 2003, que as fitas nas bobinas em que gravara uma dúzia e tal de originais se encontravam deterioradas devido ao bolor e humidade. Esses temas destinavam-se a ser editados em cd, e continham a colaboração de vários convidados: Vítor Rua, Hélder Gonçalves, Rui Júnior, Raul Marques, Carlos Azevedo, Filipe Mendes, Pedro Taveira, Quiné, David Lacerda, Paulo Gomes, Miguel Megre, os Mareantes do Rio Douro, entre outros. Significavam seis anos de estúdio, de gravações, de contactos, de trabalho...inglório. Decidi então gravar rapidamente, em "home studio", por minha conta e risco, novos temas (os outros já me começavam a enfastiar...), de modo que tive necessidade de virar a página, pois formara-se um hiato considerável, desde a edição do meu disco anterior..

[JN] Também decidiu agora recorrer à voz, coisa que nunca tinha acontecido...

[RA] Sim, para além dos samples das vozes de Martin Luther King, John Kennedy, de uma cantora "soul" black, e de uma mulher e adolescente africanas, gravei a minha voz, num outro. Utilizando um dos sarcásticos poemas de Mário - Henrique Leiria ("Novos Contos do Gin") e sobre uma sequência quase minimalista de marimbas e vibrafones, decidi fazer de "diseur", entoando "A Família e o Esturjão".Processei a minha voz, baixando o "pitch" em um tom e meio, simulando um baritono, acrescentando ainda mais ironia ao tema.

[JN] As suas improvisações aqui são mais contidas, estendem-se muito menos do que quando toca exclusivamente jazz. O que levou a esta alteração de comportamento? Terá a ver com o facto de tocar todos os instrumentos?

[RA] Não me é muito fácil interpretar esse facto. Quando se refere comparativamente ao jazz, está a referir o mainstream, penso, porque considero que muito do que se pode ouvir neste disco é jazz, pois as fronteiras desta música são extremamente vastas. Penso que utilizo mais o silêncio, entrecortando o discurso melódico, como aconselhava Miles. Acho que está mais depurado, mais sentido e menos tecnicista. Outra das razões prende-se com a vontade de manter os temas mais curtos, pois tive que seleccionar de entre 24 temas que gravei. Tinha material para um triplo..

[JN] Não resistiu a incluir um tema eminentemente jazzistico, "Tea Gee", cheio de fluidos coltraneanos.

[RA] É verdade, estranhos são os sinuosos e inesperados caminhos da criatividade... Agora mais a sério, não me considero (e não me consideram) coltraneano. Associam-me habitualmente mais ao Sonny Rollins, que de facto me influenciou nos primeiros anos.

[JN] Para apresentar este disco ao vivo vais ter de elaborar muitas alterações?

[RA] Nem por isso. As alterações são só a nível das improvisações, sopros e de algumas sequências harmônicas, cujas pistas foram retiradas de modo a obter apenas uma espécie de secção rítmica simplificada, sobre a qual os músicos que me acompanharão irão tocar. Aumentei a duração de cada uma dessas bases dos temas, pois ao vivo os solos são mais extensos e em maior número, mesmo nos temas em que os solos individuais se transformam em diálogo, o que origina sempre ambientes interessantes e inusitados.

por Rui Branco - Jornal de Notícias de 17 Jan 2005 - pág. Cultura

Crítica do PÚBLICO (suplemento Y) 18/02/2005



RUI AZUL À Bolina pontuação: 7 \ 10
Eis um disco agradável, imaginativo, sugestivo e razoavelmente original no panorama das "novas músicas", tendência suave, da música portuguesa. Rui Azul, músico do Porto, realizou sózinho "À Bolina", um álbum de viagens, tema estafado quando os itinerários repetem as rotas do turismo. Não é o caso de "À Bolina". Azul, além de produzir e arranjar, toca saxofone tenor, sax MIDI, flautas, rhaïta, zummara, didgeridoo, darbuka, percussões étnicas, voz, teclados, samplers, sequenciadores, programação e "loops". Ah, sim, também foi ele que gravou, misturou, masterizou, fez o desenho gráfico, a BD os textos. "À Bolina" é um álbum de´boa fusão, entre jazz, "world" imaginária e electrónica sequenciada. Vozes deslocadas no espaço e no tempo, sons híbridos, batidas entre o computacional e o ritual. A escola é óbvia: Musci/Vennosta, Benjamin Lew, Steve Shehan. Mas Azul é bom colorista e sabe combinar os tons, dando de facto pistas para uma viagem interior que é afinal cinema da imaginação. As ilustrações de BD têm algo da "Garagem Hermética" de Moebius. Um passo à frente de Rão Kyao, Ficções e Carlos Maria Trindade/Nuno Canavarro na elaboração de fusões oníricas com âncora, mais ou menos funda, em Portugal.
Fernando Magalhães - discos\roteiro - Público - suplemento Y - 18 fev 2005

30.5.05


o autor nos trópicos...