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27.1.10

Novo site - Rui Azul

À laia de informação (incluindo um pedido das devidas desculpas por uma certa 'quasi'-propanganda promocional - não sendo esta, no entanto, encarada, na área do show-bizz, como despropositada ou descabida, mas antes como fazendo parte do processo de divulgação artística perfeitamente habitual e recorrente...), aqui fica o link ou hiperligação para um novo site que reúne, pela primeira vez, num só endereço on-line, múltipla documentação multimedia.

Assim, desde ficheiros audio e video, a fotos e recortes de imprensa, é possível ouvir, visionar, ler e obter informação que irá sendo regularmente actualizada, sobre a bio, discografia, críticas e referências, excertos de filmagens de concertos dos diferentes projectos (via youtube), fotografias de músicos e bandas passadas e presentes, desde finais dos anos 70 até à actualidade.

Também parte do trabalho gráfico, seja de ilustração, cartoon, BD ou pintura e desenho, está referenciada e acessível, assim como a possibilidade de comentar, enviar mensagens ou aceder a outras páginas, com outros conteúdos e protagonistas.

Todas as páginas estão equipadas de um leitor audio interactivo, e a animação dos elementos não foi esquecida.

Aguarda-se a vossa visita, para a qual estão desde já convidados.
Do mesmo modo, 'gerência' também agradece, encoraja e valoriza desde já a vossa opinião expressa.
Welcome, have fun & a great time.

http://www.wix.com/RuiAzul/RUI-AZUL



20.7.09

LEONARDO DESCONHECIDO

Leonardo da Vinci foi um dos maiores desenhadores, pintores, inventores, criativos, engenheiros, enfim, um génio artista possuindo um QI e uma imaginação criativa que duvido tenham sido alcançadas, quanto mais ultrapassadas...


Ainda bem que esteve sob a protecção de vários senhores e governantes feudais, pois se fora "freelancer", como Galileu Galilei, por exemplo, possivelmente não teria chegado a idade tão avançada, pois em 1500 qualquer coisa que desafiasse o convencional era considerada herética e o seu autor esquartejado, decapitado, queimado vivo ou lançado aos leões... ( mmm... esta última talvez não, isso era mais moda no Império Romano, alguns séculos antes e não nas Repúblicas Venezianas do século XVI ).

Por volta de 1500 Vasco da Gama conseguira navegar até à Índia, Colombo rumara na direcção oposta e achara ter também chegado à Índia, só que os índios eram outros (Sioux, Apaches, Comanches, Iroqueses,...), Lisboa era a cidade mais rica da Europa, Portugal e Espanha dividiram o mundo entre si em Tordesilhas, sob a bênção do Papa. Michelângelo acabara a Pietá e fora contratado para viver mais de 6 meses sem descer dos andaimes que mandara instalar a meio metro do tecto para, deitado de costas, pintar os tectos da Capella Sixtina. Maquiavel, Erasmo de Roterdão, Martinho Lutero destacavam-se na política, filosofia e teologia.

Guttenberg soltara um palavrão quando entalou o dedo na prensa que inventara, para se passar a poder editar livros rapidamente, imprimindo exemplares perfeitamente idênticos entre si, enquanto Henrique VIII já "despachara" duas das suas 6 mulheres.

Fernão de Magalhães, que para mim (e para muitos outros portugueses, decerto), foi o nosso mais ilustre navegador, porque foi movido pela ciência, cartografia, geografia e sede de conhecimento (ao invés da quase totalidade dos outros, apenas buscando o lucro fácil através do saque, subjugação, escravatura, e outras práticas menos "civilizadas"), foi o primeiro a fazer a circum-navegação do Globo, encontrando a passagem para o Pacífico nos estreitos da Terra do Fogo ( extremo austral da América do Sul ), assim como a sua morte, devido a um mal-entendido com os nativos.

Depois deste "plano geral" da época, queria lembrar que Da Vinci não pintou só a Gioconda (Mona Lisa) e a Última Ceia de Cristo, mas foi o inventor da BICICLETA (fig. 1), do PÁRA-QUEDAS (fig. 2),
do SUBMARINO, do TANQUE de GUERRA, do ULTRA-LEVE (fig. 3),
da BIELA - MANIVELA, da RODA DENTADA e ENGRENAGENS (fig. ), dos ROLAMENTOS de ESFERAS (fig. ), do BARCO de PÁS (fig. ), do CARRINHO de MÃO SEMI-AUTOMÁTICO, de ENGENHOS BALÍSTICOS de vária ordem, e... do AUTOMÓVEL (fig. ). !!!!!!

Podem ler de novo. Eu espero.

Como sou músico, e porque é precisamente esta a faceta do Mestre dos Mestres mais desconhecida, é esta a razão principal para este artigo que escrevi e aqui publico: Leonardo também era Músico! E, como não poderia deixar de ser, inventou vários instrumentos e adaptou mecanicamente outros!
Três exemplos:
1 - Aquilo que designamos por "CAIXA de RITMOS", teve origem ( na vertente mecânica, claro, pois a electricidade apenas chegaria uns séculos mais tarde... ) no seu TAMBOR AUTOMÁTICO (fig. ).

2 - Os teclados portáteis, sintetizadores, pianos digitais, ou aquele teclado de pendurar ao pescoço tipo guitarra, que o Herbie Hancock usava nos 70's e 80's para se levantar do piano de cauda e interagir no palco junto dos guitarristas, baixistas e sopros, fazendo solos de pé ( ou dançando... ), tiveram o seu tetra-tetra-tetra avô na sua PIANOLA AMBULANTE (fig. ).

3 - A LIRA que inventou, é que me deixou deveras perplexo. Não só pelo facto de parecer a cabeça de um habitante de Procyon-5, ou algo saído da Industrial Light & Magic, para um filme da saga Star Wars, mas porque não descortino as cordas, não vejo caixa de ressonância, afinadores, nem quero saber como se pegava naquilo para tocar... brrrrrr...e não morde?



Bem, numa banda de trash-heavy-hard-metal-depressive-post-punk-rock-gunge-F..kDaNotesDaScalesDaTempo&DaMusic&Ourselves, se calhar os fans delirariam... (figs. ).






Para além de outras invenções destinadas às artes de palco, contam-se também PALCOS GIRATÓRIOS e/ou ELEVATÓRIOS, entre uma miríade de esboços que deixou, muitos dos quais ainda em estudo e por decifrar tanto o engenho em si, como a sua função...



Ou era alienígena ou um mutante, o fabuloso LEONARDO DA VINCI !

30.3.07

Portugal Jazz - Festival Itinerante de Jazz



Foi apresentada oficialmente no CCB uma iniciativa extremamente louvável, estrategicamente pertinente nos seus conceitos e objectivos fundamentais, e fruto certamente de uma arguta e correcta perspectiva e visão alargada do estado de situação e desenvolvimento do Jazz no nosso país.

Já me pronunciei acerca do assunto, tanto aqui, como em outros sites e blogs, e era indispensável criar hábitos culturais em vários sectores da sociedade, nomeadamente entre os jovens urbanos e entre a população activa habitando fora dos grandes centros ou em zonas mais afastadas da faixa litoral. O JAZZ apresenta-se, pelas suas características de expressão musical universalista, pelo crescente número de praticantes, estudantes, festivais, e outros apontadores que cresceram em exponencial desde finais dos anos 90, em Portugal, como um dos produtos culturais com aptência inata para cumprir um papel relevante na criação e consolidação de novos públicos e na introdução e fixação dos tais hábitos de consumo regular de cultura entre os Portugueses, que, como já é habitual, apresentam dos mais baixos índices europeus de consumo de arte e cultura.

As razões são várias e entre elas está a ausência do ensino musical desde a escola primária; as taxas e impostos sobre os instrumentos musicais (ferramentas essenciais para se poder sobreviver como músico profissional...) equiparados a artigos de luxo; o IVA sobre os discos é superior ao que se aplica aos livros (porquê? um livro é cultura, um disco já não??); as playlists e desrespeito sobre a lei da percentagem de música portuguesa a passar na Rádio; o arcaico e estúpido conceito que os músicos estrangeiros são sempre melhores que os músicos nacionais, débil e insuficiente apreço pelos artistas "da casa" (tal como os santos, não fazem milagres? só existe excepção no caso dos jogadores de futebol, o que confirma a regra); a baixíssima auto-estima que grassa actualmente entre nós, e a que os baixos salários não são alheios, pois onde desencantar recursos para o bilhete do concerto, ou da entrada no clube de Jazz, se antes do final do mês o bolso já se esvaziou? - por outro lado, as discotecas e dance houses estão a abarrotar e reproduzem-se como baratas, e os disc-jockeys, vulgo dj's, ganham 5,6,10 vezes mais que os músicos - (gostaria que qualquer universitário pelo menos pudesse encaixar uma regra simples: de 3 em 3 noites de disco, 1 passava a ser destinada a: 1 concerto, ou 1 ida ao teatro, ou 1 visita a exposições de arte, ou mesmo 1 ida ao cinema, e, por favor, 1 ida a um clube de Jazz, ou café-concerto, ou música ao vivo... mas estou a sonhar acordado... ).

A iniciativa a que me refiro, ou seja, levar o Jazz, e preferencialmente, o Jazz praticado por músicos de Jazz Portugueses, que estão perfeitamente ao nível dos restantes europeus e americanos, (isto, dito pelos públicos e especialistas europeus e americanos, não se trata de auto-avaliação), a percorrer todos os municípios nacionais, com intuitos divulgativos, formativos, e criadores dos tais hábitos que acima descrevo. Não se confinando a uma edição, mas propondo uma periodicidade anual. Assim, várias zonas do país habitualmente arredadas de eventos jazzísticos, vários grupos e músicos portugueses de Jazz, terão ocasião de se encontrarem frente a frente, e, de um modo interactivo, partilharem aquilo que produzem e receberem aquilo de que carecem, porque o espírito também se alimenta, e fazer com que se ouça cada vez menos aqueles lamentos do tipo: - « Jazz? Hhhmmm... sabe, num sei se gosto... é que não percebo muito bem aquilo que eles estão práli a tocar, parece que tocam uns para cada lado... é..., não não gosto lá muito dessas músicas lá do Jazz, ou lá o que é.... », ou « Jazz? Ui, é muito chato, aquilo é só para intelectuais, é uma seca do caneco, para mim...»

Parafraseando Vasco Santana: - Jazzes há muitos, ó seu...

Por isso aplaudo a iniciativa, e estou disponível para explicar os diversos Jazzes, como acontece o diálogo entre os diversos instrumentos, enfim, quero ajudar a trazer para o Jazz mais apreciadores, plantar sementes de curiosidade e fomentar a abertura de espírito para passarem a perceber mais aquilo que ouvem. Na adolescência, só gostamos de bife com batatas fritas, o gosto evolui, mais tarde... ninguém gosta de cerveja ou de whisky da primeira vez que se prova... ninguém nasce ensinado...

Penso que os músicos têm responsabilidades, enquanto agentes socio-culturais, e algumas delas são o didatismo, a divulgação, a formação do gosto e da capacidade de fruição da Arte. Ou, se quiserem, empenharem-se em ensinar ou mostrar pistas para que cada vez haja mais pessoas a tirarem prazer através da audição de música tocada ao vivo. Jazz, neste caso.

Bravo pela iniciativa lançada, cujo logotipo encabeça este post, e que se chama PORTUGAL JAZZ - FESTIVAL ITINERANTE DE JAZZ.

mais info em:

http://www.portugaljazz.org/

27.1.07

AZUL NEWS

A acção decorrente neste gélido início de ano está repartida, no que diz respeito à minha participação em projectos colectivos, entre:

a manutenção do recém nascido JAZZ WORKSHOP - a jam multimedia blog session, que conta já com 16 membros em apenas 3 semanas de actividade, 2 standards lançados
- C Jam Blues (Duke Ellington) e Mack The Knife (Kurt Weil / Berthold Brecht) -
e em que o Blues conta já com 3 solos: sax tenor, alto e clarinete. Precisamos de colaborações nas diversas áreas da criação, desde o texto à fotografia, do video ao cartoon, desde o slide-show ao teatro radiofónico, and so on...Visitem-no em http://jazz-workshop.blogspot.com

participação no novo trabalho discográfico dos TRABALHADORES DO COMÉRCIO, entitulado "Iblussom", a sair dentro de um par de semanas, no qual toquei riffs e solos de sax tenor e flauta, no tema Loucu (birtual), e ilustrei as páginas centrais do cd com uma 'charge' da ceia de Cristo, só que o próprio está ausente, e apóstolos somos uns 23, nomeadamente, e para além dos 5 membros da banda, todos os colaboradores convidados, entre os quais estão o R. Veloso, vários músicos espanhóis, Diana Basto, as Vozes da Rádio (são 4 querubins alados a sobrevoar a longa mesa), o (este) Azul, e mais gente que desenhei, mas não lembro os nomes e não conheço pessoalmente, can you imagine?... http://www.trabalhadoresdocomercio.org/

gravação do novo disco da MINNEMANN BLUES BAND, agendada para as próximas semanas, com originais e também blues tradicionais, que aguardo com entusiasmo, pois a banda está num 'pico' de forma, e é urgente editar um cd para passarmos to the 'next level'. A propósito, existe a cobertura da nossa participação no 'Simply Blues' Festival, com crítica e várias fotos no site espanhol: http://www.canedorock.com/sympleblues_minnemann_06.htm
(nuestros hermanos fazem aquilo que a comunicação social portuguesa teria responsabilidade em fazer... no es verdad?). Eis algumas imagens:




Podem ouvir excertos dos temas, gravados live no festival e inseridos na playlist do media player no topo superior direito desta página, como: I Was Stealin', Take Me Back, Catfish.

24.12.06

Cinco Minutos de Jazz

Se tiverem tempo (e se lembrarem), podem ouvir este vosso amigo "a tocar tenor & a falar com José Duarte" - foi este o "headline" por ele escolhido para abrir cada uma das 10 emissões do "Cinco Minutos de Jazz" que irão para o ar bi-diariamente (17.53h e 22.53h) de dia 8 até dia 19 de janeiro de 2007.

Nos dias pares ouvir-se-á o tal tenor num tema gravado ao vivo, nos ímpares falaremos do Jazz em Portugal, do seu ensino, do que tenho feito nos últimos 30 anos, do que espero e... do que desespero ao ver a lentidão com que o Jazz se vai construíndo, e a pouco e (muito) pouco se vai afirmando e ganhando um público crescente, sobretudo entre as novas gerações, o que é um bom indício, mas as carências ainda são esmagadoras.
A actual proliferação de festivais de Jazz, um pouco por todo lado, embora possa parecer um sinal inequívoco de evolução, não tem, no entanto, reais efeitos práticos e dinamizadores da vida jazzística nacional, no que se refere aos músicos praticantes, sejam eles estudantes, amadores ou profissionais.
Algum possível entusiasmo, gerado pela assinalável crescente afluência de público a esses festivais, esvai-se quando comparativamente observamos a escassez daquele que frequenta os ainda mais escassos clubes e bares-concerto que existem entre nós.
E, quer queiramos, quer não, são estes locais e o "circuito", à escala nacional, que eles formam (ou melhor, que ainda NÃO formam), que constituem a estrutura-base, a armação de suporte que pode permitir a vivência diária, semanal, do Jazz português, possibilitando a actividade permanente de músicos e bandas, seja em concertos aos fins-de semana, jam sessions de domingo a quinta, abrindo espaço para os que se iniciam ganharem "calo", para que haja interacção entre apreciadores(as), melómanos, recém chegados ao Jazz, público em geral, divulgadores, musicólogos, radialistas, fotógrafos, jornalistas, artistas, actores, produtores, sonoplastas... tanto entre si, como com músicos (e estes entre si).
Só essas situações, só esses ambientes podem fazer fermentar e evoluir o Jazz que se ouve e se pratica entre nós.
... o músico do Algarve vai tocar em Viana; o músico do Porto toca numa Jam em Coimbra, com músicos que aí residem; uma banda do Barreiro actua no clube de Matosinhos, e após os concertos juntam-se-lhes músicos do norte; o trombonista dinamarquês que tocou no festival de Aveiro ás 22h aparece "round midnight" no bar-concerto local e acontece inesperadamente uma sessão fabulosa, memorável para quem assistiu e participou; aquele pianista americano de renome foi levado por um membro da organização daquele outro festival ao Hot Clube de Viseu, onde por acaso estava o trio de um guitarrista de Lisboa, e, tendo o pianista apreciado tanto a experiência, convidou-os para gravarem 4 faixas do seu próximo cd....
Isto são exemplos virtuais do que eu considero ser um cenário dinâmico de uma actividade Jazzística actual, pelos padrões europeus.
Possível e realizável no nosso país também.
Existem os músicos para tal.
Portugueses.
Em quantidade e de qualidade indiscutível, pelos mesmos padrões europeus (e globais).
Acabe-se de uma vez por todas com a execrável falta de auto-estima endémica que levava invariavelmente a considerar-se que o "estrangeiro" é sempre melhor que o Português, porque... porque é estrangeiro...!!
Falta apenas (derivado à ausência de hábitos culturais enraizados entre nós, um dos muitos efeitos "colaterais" e de consequências à la longue, com que os 50 anos de estupidificação salazarista contaminaram este país e este povo...):
que o público não vá apenas aos festivais, que vá surgindo nesses locais, pois muitas vezes presencia espectáculos tão bons ou melhores que nos grandes eventos (por vezes sessões únicas e irrepetíveis...), favorece de uma proximidade muito maior com músicos, podendo mesmo conhecê-los pessoalmente, com menos custos económicos e com maior fruição e intensidade vivencial... (experimentem pelo menos 1 fim-de-semana por mês, em vez da disco & dance..)
Tudo razões a favor da escolha de clubes para assistir a Jazz ao vivo, sem falar da impossibilidade de se estar a saborear um copo ou de trocar alguns comentários com a namorada ou com os amigos, no festival num auditório de centro cultural...
Did it crossed your minds??
Venham lá mais vezes ao clube e Jazz bar!!
Se afluir mais público, mais clubes vão abrir, mais músicos vão poder trabalhar, melhor e mais Jazz haverá para ver e ouvir...


Não cheguei a conseguir dizer algumas destas ideias, cinco minutos vão-se a correr e nem damos por isso!
Mas falou-se de Jazz. A ideia era essa, I think... Gostei bastante. Penso que o José Duarte também.

Cinco Minutos de Jazz
Estação de rádio: RDP Antena 1
E-mail: cincominutosdejazz@rdp.pt
Horários: segunda a sexta - 17.53h e 22.53h
Autor: José Duarte
desde 8 até 19 jan 2007:
Convidado:
Rui Azul - saxofonista

14.12.06

"Simply Blues" nights...

Caso vos interesse, vou resumir o que foi acontecendo nas noites do festival.
Na noite de 4ª feira, dia 6 de Dezembro, coube-nos - Minnemann Blues Band - abrir as "hostilidades", estreando a nova formação, que integra agora o trompetista cubano Alex Rodriguez, e penso que tivemos uma excelente interacção com o público, que compareceu de modo a ocupar talvez 60% da capacidade do Teatro Sá de Miranda, facto que no entanto, não impediu os presentes de se divertirem, como por exemplo no tema que começou com uma introdução de sax "à capella", no qual apareci vindo da última fila da plateia, segui pela coxia central, sentei-me numa das cadeiras, aproveitei para inserir a melodia do malhão no "discurso"(em homenagem ao Minho e a Zé Pereira, alfaiate, minhoto e tocador de bombo. Sim, porque nem bombeiro nem bombista soa bem... - conto essa estória um dia destes), e isto sempre acompanhado pela marcação rítmica do público, que o fez no sítio correcto (o Cenoura ajudou, indicando-lhes onde era que deviam bater as palmas...), subi para o palco sem parar de tocar e finalizamos com "Relax Your Mind". Regressamos para 2 encores, com o entusiasmo do público sempre em crescendo.
Na noite seguinte, 5ª, Louisiana Red (an old-timer bluesman) trouxe-nos a tradição do delta, sentado na sua cadeira, que os anos já pesam e o jetlag também... No final grande parte do público saía do Teatro directamente para o Café-concerto por uma porta de acesso e por volta da meia-noite e meia ('round midnight...) começàvamos a tocar, para acabar... entre as 3 e as 4, porque o entusiasmo dos presentes impelia-nos a continuar. Apenas nessa noite de 5ª, não houve jam session com os músicos que actuavam no Teatro (talvez pelas razões que referi acima), mas na sexta, a loiríssima Ana Popovic fez questão de tocar connosco, e fazendo concentrar todos os olhares sobre o seu belo e desnudado umbigo que se vislumbrava logo abaixo do corpo da guitarra, tocou alguns blue-rock (sobretudo em Mi7) e dirigiu-se a mim para que eu improvisasse com ela, e assim solamos, sax e guitarra, alternando de 4 em 4 compassos... Acontecia, finalmente, Jam Session, no 7º Festival Simply Blues! Ana Popovic, de Belgrado, fez questão, antes de abandonar o palco, de incentivar o público para que nos aplaudisse intensamente: -" Congratulations, you people got these really fantastic musicians in your own country, so give them a big applause, 'cause they deserve it!...".
Curiosamente, na noite seguinte, o mesmo sucedeu com Sherman Robertson, bandleader, guitar player, afro-american (como se diz nos EUA) & bluesman, exibindo um chapéu de cowboy (daqueles com o topo plano e com chapas ovais de metal dourado a decorar a fita do chapéu) e um bigodinho à Clark Gable. Depois de actuar no teatro, também fez questão de tocar connosco, após ouvir-nos durante alguns temas. Após ele ter tocado um blues em Mi, pedi-lhe que escolhesse outro tom para os temas seguintes (é que para o saxofone tenor, um blue em Mi significa ter que improvisar em Fá sustenido, pois o tom de guitarra ou piano, o "concert key" tem de ser transposto dois meios tons acima, no caso do tenor e do soprano. Claro que consigo solar em Fa#7, mas a dedilhação é mais "chata", logo existe menos fluidez no fraseado...), e assim seguiram-se em C7 e A7 (Ré de 7ª e Si de 7ª para mim) mais dois temas, e, tal como a Popovic, também ele me "desafiou" para solar em diálogo, e penso que me safei de modo a... "defender honrosamente o prestígio dos músicos portugueses" (...vá lá, não gozem, pois foi mesmo assim que algumas pessoas se expressaram, enquanto me davam os parabéns no final...).

Levamos a assistência ao rubro, os flashes sucediam-se, junto ao palco dançava-se, os gritos de aprovação e incitamento não abrandavam, e, igualmente, ele insistiu para que o público acarinhasse os seus músicos, ou mais concretamente, o António Mão de Ferro na guitarra, o Rui Cenoura na bateria, o ManuZé no baixo, o Wolfram Minnemann ao piano e voz (vive entre nós à tanto tempo que já o definem como... luso-germânico...), e um tal de Rui Azul no sax (este vosso amigo)...
Membros da organização, espanhóis com largo historial em organização de concertos, nas áreas do Jazz e Blues, referiram que não só fomos a banda portuguesa com melhor prestação, no conjunto dos 7 anos de edições do festival, como uma das bandas que obtiveram mais adesão do público, a nível global de todas as actuações, tanto de nacionais como de estrangeiros. Bem, também acho que estivémos particularmente inspirados, e demos "o litro", mas essas apreciações são sempre muito subjectivas, vindas dos próprios intervenientes, só que desta vez toda a gente foi unânime, inclusivé músicos das bandas americanas...
Espero que isto possa vir a ser um sinal de mudança na mentalidade do público português, que ao contrário do que acontece com os naturais de outros países, NÃO "torce" pelos seus compatriotas artistas e músicos, chegando até a estabelecer o preconceito de que qualquer músico estrangeiro é sempre melhor do que um músico português, ...apenas....porque é estrangeiro!! Mas só admitem o contrário, se, e só se, forem os "estrangeiros" a afirmá-lo!
Por fim, quero ainda destacar o trompetista cubano Alex Rodriguez, que se estreou (e bem) na Minnemann Blues Band neste festival.

Obrigado por me aturarem e desculpem algo que vos possa parecer... alguma "imodéstia", da minha parte, mas é sempre agradável que, quando um músico toca bem, haja quem dê por isso... Rui Azul

6.5.06

We Got Rhythm

A organização do CORTA! 2006 - Festival Int. de Curtas Metragens do Porto lançou-me o desafio que consiste em reinterpretar um tema musical incluído na "original soundtrack" de um filme. A minha escolha acabou por recair na genial banda sonora que George e Ira Gershwin compuseram para "An American In Paris". E, mais precisamente, no tema que encerra, em si mesmo, uma das principais estruturas sobre as quais o Jazz se foi construindo, e cuja sequência métrica e harmónica veio a ser conhecida como "rhythm changes", ou, trocado por miúdos: a estrutura harmónica do I GOT RHYTHM (sendo a outra estrutura nuclear em que o Jazz se apoia, a dos Blues = 12 compassos) .
Bom, não querendo arrastar isto para aspectos de teoria musical, vou apenas dar uma ideia daquilo que pretendo apresentar no festival:
O fio condutor prende-se com o facto de todos nós, mesmo antes de virmos ao mundo, vivermos rodeados de ritmo. Ou, melhor dizendo, de sons que se apresentam sob a forma de sequências repetitivas, a que se convencionou chamar de ritmos. Já no ventre materno temos a companhia do bater do nosso coração e do de nossa mãe. Os nossos progenitores, no acto de nos conceberem, executaram ritmos para alcançarem o clímax, enquanto as suas respirações aumentavam de... ritmo! Aprendemos a andar, o alfabeto, a tabuada, segundo fórmulas rítmicas. Desde as ondas do mar ao tiquetaque dos relógios, das gotas de chuva ao galope de um cavalo, as gargalhadas, as palmas, comboios sobre os carris, máquinas de escrever, o canto dos pássaros, a lista é infinita. Exemplos e extractos sonoros estão incluídos na composição, e escolhi várias imagens que serão projectadas simultaneamente, durante a apresentação, e exporei verbalmente estas noções, mas inexoravelmente, a dado ponto, terei que substituir a expressão verbal pelas notas do meu saxofone (é impossível aos instrumentistas de sopro falar ou cantar ao mesmo tempo que tocam...), que progressivamente irá dando pistas até chegar ao "I Got Rhythm".
Convido-vos a aparecerem (entrada é livre) no auditório da biblioteca Almeida Garrett, no Palácio, próximos dias 19 sexta, pelas 21:30 h, para "ouverem" o resultado...
http://www.corta.pt/2006_pt/index.php?bandas_curtas

1.6.05


live drumming !...

3.12.04

Navegar contra os ventos - À BOLINA

A Registos Autónomos e a Discantus-Mundo da Canção apresentam o conjunto de 15 novos originais que formam o mais recente álbum, "À BOLINA", do músico RUI AZUL, lançado em Portugal em Março deste ano.
Trata-se de um registo a solo do saxofonista portuense já com 30 anos de carreira, que traça aqui novas direcções, sulcando rotas inovadoras e raramente sulcadas, em águas territoriais da Música Portuguesa.
Como o título sugere, existe um paralelismo entre a arte náutica de velejar contra o vento e a persistência do músico em apontar rotas menos comerciais, enfrentando ventos que amiúde não sopram de feição, para aqueles que rumam às latitudes da originalidade na orientação estética musical e às longitudes temperadas pelas influências étnicas, desde as mais remotas até às mais próximas.
Um diário de bordo instrumental, assim poderíamos definir este álbum, que vai singrando a todo o pano, do Mediterrãneo aos mares do Oriente, levando-nos a visitar paragens remotas e cenários exóticos.
Rui Azul, além de tocar sax tenor, MIDI wind controller, instrumentos de sopro e de percussão étnicos, assina igualmente a gravação, misturas, masterização e design gráfico da capa e do booklet, assim como a execução e manipulação digital da totalidade dos instrumentos e sonoridades diversas que podemos ouvir neste CD.
É devido às suas características independentes, "navegando fora das rotas mais comerciais", que se torna fulcral a contribuição da comunicação social, dos seus jornalistas, radialistas, comentadores e divulgadores culturais, que ao analisarem, interpretarem, revelarem e destacarem o trabalho produzido pelos criadores portugueses, contribuem de facto para a valorização do panorama musical e cultural do nosso Paí­s.

Registos Autónomos